CEIA DE NATAL

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Deixa eu perguntar uma coisa. Já acabou a comida da ceia de Natal de vocês?Porque eu, por exemplo, estou terminando agora a de 2008. A ceia de Natal é um negócio interminável. As tias vão chegando com 8 kg de comida cada uma. Parece o exercito da salvação chegando com as coisas. Aí depois da ceia as tias vão juntando as sobras e criando pratos novos, tipo, peru com arroz, arroz com farofa, farofa com tender, chester com maionese, tender com pão, etc. As combinações são tão infinitas e até agosto vai ter gente ceando.

– Mãe to pensando em fazer meu aniversário aqui em casa.
– Legal, já aproveita esse restinho de arroz com tender.
– Mãe, mas nós estamos em Maio.

Um dia antes do Natal tive a brilhante ideia de ir ao supermercado comprar umas coisas pra ceia. O problema é que eu e cerca de 7.000 pessoas tivemos a mesma ideia. Na fila do caixa tinha uma mulher com muitos pacotes de uva passa no carrinho. Meu único pensamento foi: “Meu Deus do céu, senhor, tenha piedade dessa família”.

Três coisas que só aparecem no Natal, Papai Noel, Roberto Carlos e uva passa. Faltando um mês para o Natal os fabricantes anunciam: “Pessoal, o Natal ta chegando, estraguem as uvas comuns, coloquem nos saquinhos e vamos vender”. Que mania que as famílias tem de colocar uva passa nas coisas. A uva passa é tão ruim que quando a gente quer o arroz sem uva passa, a gente pergunta se tem arroz “normal”, como se a uva passa fosse uma coisa anormal. E é.

Tem umas comidas merdas, tipo, rabanada, que a gente odeia mas sempre acaba comendo um pedaço porque as tias sabem como pegar no seu ponto fraco, dizendo: “mas eu fiz com tanto carinho”.

Além da uva passa tem também o pavê. Mas o pavê é bom, o que estraga é a piadinha. Da a impressão que as famílias só não tiram o pavê da ceia pra não decepcionar aquele seu tio mala. Imagina:

– Mãe, por que o tio Olavo está chorando?
– Ah,filho. Esperou o ano todo pra fazer a piada do pavê e sua tia fez mousse de chocolate.

O tio também é o responsável por fazer todas as piadinha envolvendo o “peru”.

Outra tradição da ceia de Natal é a sua tia perguntar: “E os namoradinho?”. No dia em que você chegar na ceia com um(a) namorado(a) vai ser uma decepção muito grande. As vezes da vontade de dar o troco, tipo:

– E as namorada?
– E as hemorróida, tia. Ta cuidando?

Outra coisa que sempre acontece nas ceias são as comparações, por exemplo:

– Ta trabalhando, Bruno?
– Não, tia.
– Humm, seu primo Carlinhos ta ganhando super bem.

Essas também da vontade de retrucar:

– Já se formou, Pedro?
– Ainda não, tia.
– Humm, seu primo Rogério já está fazendo doutorado.
– Que bom, tia. E as drogas, ele já conseguiu parar?

E sai andando.

Em toda família tem aquela discussão de pode ou não pode comer antes da meia noite. Eu não estou nem ai. Se a comida já está pronta as sete da manhã eu já começo a comer. Sabe quando só tem uma mesa de jantar e os familiares vão se revezando na hora de comer? Então, eu geralmente sou o cara que não sai da mesa. Ceia de Natal pra mim é tipo rodizio, se eu sei que vai ter eu procuro ficar o máximo de tempo sem me alimentar pra poder comer até minha família ficar constrangida.

Sempre tem alguém que: “E ai, vai pra alguma festinha depois da ceia?”. Antigamente eu fazia isso. Hoje em dia eu só quero sentar no sofá, abrir os botões da camisa, o zíper da calça e esperar que Deus tome uma providência.

Aquela manifestação que a gente costuma fazer depois da ceia de Natal, o “FORA TENDER”.

Todo dia seguinte, pós ceia, sempre aparece alguém que é gordo(a) ha mais de 20 anos pra dizer “Nossa, eu devo ter engordado uns 5 kg nesse Natal”. A pessoa deve pensar: “ah, daqui a 364 dias tem Natal de novo, por que é que eu vou emagrecer agora?”.

A ceia de Natal é um evento que a gente se arruma todo pra ficar em casa.

Toda ceia de Natal tem criança. Só que uma criança é legal, duas até que vai, agora três ou mais crianças já vira um inferno. As crianças tem uma enorme dificuldade em se deslocar de um ponto ao outro sem correr e gritar. A criança possuída por Lúcifer não para. Corre, grita, quebra as coisas, desliga o balão de oxigênio da vó.

Falando na vó, ela é tipo a entidade máxima da ceia de Natal. Fica todo mundo preocupado com a vó. Um leva a vó no banheiro, outro corta a carninha da vó pra ela não engasgar, outro explica o assunto que está rolando, porque ela não entende nada mas se todo mundo rir, ela ri também.

A vó é sempre muito preocupada com as pessoas, principalmente com os netos.

– Já comeu, Arthur?
– Já, vó.
– Come mais um pouco.
– To cheio, vó.
– Comeu a torta de carne?
– Comi sim.
– Come o pavê então.
– Obrigado vó. To satisfeito.
– Pega um pedacinho de peru.
– Não vó, é serio, to muito cheio.
– Ta, espera ai que eu vou pegar um pratinho pra você.

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