GAFE EM MARESIAS

Era véspera de réveillon. Estava com uns amigos em um bar na praia de Maresias, litoral de São Paulo. Já havia tomado alguns drinks. Estava lá numa boa quando avistei cinco garotas em uma mesa. Cheguei na mesa e cumprimentei as meninas naquela simpatia que só uma boa vodka pode proporcionar. Das cinco meninas que estavam na mesa, duas estavam sentadas e outras três, dançando em volta da mesa. Dois minutos de conversa e eu acabei me interessando mais por uma das meninas que estava sentada.

– E ai, tudo bem?
– Tudo bem e você?
– Tudo ótimo, como você se chama?
– Marina e você?
– Daniel.

Tranquilo. Conversa vai, conversa vem e eu estava começando a ficar cansado de ficar sentado ali. Me levantei e continuei a conversar com a menina. Chegou uma hora em que a conversa tomou esse rumo.

– Você não vai dançar?
– Ah não, estou bem aqui.
– Pô, mas é véspera de réveillon. Vai ficar ai sentada?
– É que eu estou meio cansada.
– Toma mais uma que você se anima.
– Estou tomando.
– Então levanta. Sentada assim parece que você tem 50 anos.
– Fica tranquilo. Estou bem aqui.
– Já sei. Você não sabe dançar. Tudo bem, eu também não sei.
– Não, é que eu estou cansada mesmo.

Ela deu um sorriso maroto e tomou um gole de seu drink. Aproveitei aquela pausa que acontece quando você fica sem assunto e fui até bar pegar outra cerveja. Chegando no bar encontrei uma das meninas que estavam na mesa e ela veio falar comigo.

– Oi Daniel.
– E ai, beleza?
– Beleza. Então, sabe aquela minha amiga que você estava conversando na mesa?
– Claro, o que é que tem ela?

Nesse momento, levado pelo otimismo que só o álcool nos proporciona, pensei que ela iria me falar: “Minha amiga adorou você e quer muito que você volte lá pra lhe dar um beijo”.

Mas na verdade não foi bem isso. O que ela me falou foi:

– Minha amiga achou você muito legal, mas vou te dar um toque. Não fica pedindo pra ela levantar, por que ela tem um problema na perna e não consegue andar.

O filme parou. Tudo ficou em câmera lenta. Fiquei sem reação e completamente sóbrio em menos de um segundo. Aquela mesma sensação de sobriedade que da quando você quer enganar seus pais se mostrando sóbrio quando chega da balada.

Por um instante achei que fosse mentira. Mas sóbrio pude observar um tipo de andador ao lado da menina. O que piorou ainda mais o meu estado. A única reação que eu tive foi chegar para a amiga da menina e fala:

– Peça mil desculpas pra ela.

Vocês não tem ideia. O dialogo que eu descrevi com a menina não tem nem a metade das besteiras que eu falei pra ela em relação a ela estar sentada numa noite de festa.
O pior é que eu tentei, mas não consegui ficar no bar. O local era pequeno e em qualquer lugar que eu ficasse ela estaria no meu campo de visão. Fui até os meus amigos e me despedi. Peguei um taxi e fui embora com a maior cara de bosta do mundo.

Não adianta, nascemos para cometer gafes. E foi assim que eu perdi uma noite do verão de 2007. Por ser um bêbado chato, inconveniente e por não saber a hora certa de parar.

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5 comentários sobre “GAFE EM MARESIAS

  1. Oi Daniel. Que bom que finalmente te encontrei. Só queria que você soubesse que sua atitude desagradável me custou anos de terapia. Mas hoje, graças a essas sessões e muito apoio da família e de amigos, eu posso sair na rua novamente. Espero que pense bem antes de sair por aí enchendo a cara e sendo inconveniente. Ah, e não, eu não estava nem um pouco interessada em você. Fique com Deus.

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